sexta-feira, 27 de abril de 2012

E mais uma vez o preconceito...

   Estou acostumada a escrever textos em tom de poesia, prefiro falar sobre aquilo que existe em minha alma. Existem tantos outros blogs e plataformas que visam pregar a justiça, a igualdade e o respeito. Enfim, faz tempo tento retirar o foco dos meus textos dessas questões delicadas que envolvem o dia-a-dia daqueles que são abertamente homossexuais. Porém, hoje me deparei com uma situação que fez com que eu sentisse tanta indignação que não me deixa calar, sinto quase uma obrigação de expressar essa mistura de raiva, ódio e repulsa que tenho dentro de mim.
   Pois bem, tenho vinte anos e sei que pode não parecer, mas já vivi muitas situações de preconceito quanto a minha orientação sexual. No colégio, o fato de ser gay era motivo de risada de muitas meninas e meninos que achavam engraçado me chamar dos mais diversos apelidos e me tratar como se eu fosse menos que um inseto que eles poderiam esmagar com um simples gesto ou olhar de ódio. Era uma fraca menina naquela época, mas me fiz crescer mais rápido e me fiz mais forte para aguentar as "pauladas" que eventualmente a vida nós dá. Pensei em tirar minha vida algumas vezes, mas descobri na poesia a forma de me reerguer e refazer diante de tantas incoerências e maldades. A minha fé nas pessoas para sempre estará abalada, pois as cicatrizes que são deixadas em nossas almas são mais fortes do que as deixadas na nossa pele. Talvez a recuperação nunca seja plena, mas sei que a fortaleza que hoje tenho se deve, em grande parte, a esses momentos de derrota, pois ser guerreiro é fácil, mas hoje eu sou mais, sou vencedora e só vence aquele que caiu e teve a força e coragem para levantar e enfrentar mais uma batalha.
Mesmo assim, ainda existem momentos que preferia não presenciar, mas somente presenciando-os, posso acreditar na veracidade dos mesmos. O que eu ouvi hoje foi de tal forma absurdo que não sabia esboçar reação. Eis o fato:
   Lembra que falei que tinha 20 anos? pois é, foi hoje mesmo que entrei na casa dos 20. Tive uma tarde maravilhosa, com uma companhia perfeita e um dia friozinho e ensolarado, bem típico do outono porto alegrense. Tomei um café, conversei por horas (só conversei, claro) e quando chegou o momento de me despedir foi aquela enrolação típica de quando se gosta de alguém. Esperei meu ônibus na parada e como sempre demorou. Dentro dele estava uma amiga minha acompanhada de algumas amigas dela, cumprimentei, recebi os parabéns e fui, como de hábito, me sentar no fundo do ônibus, perto da porta. Umas duas paradas depois, um homem e uma mulher aproximadamente da idade de meus pais que aparentemente não se conheciam se preparavam para descer, foi quando ele começou a puxar um assunto que me deixou pasma. Não vou lembrar das exatas palavras, mas, resumidamente, comentou sobre o exagerado número de "sapatões" naquele ônibus (deveriam ter umas cinco) e ainda complementou durante os minutos que ficou ali parado na porta (dessa vez eu lembro das palavras):
 " [...] deveriam era exterminar essa gente, fazer que nem fizeram na Europa no tempo do Hittler, sabe? Eu sou meio nazista mesmo, não me importo de admitir que não gosto dessa gente. Isso é mais do que errado, não sei como o governo deixa elas andarem nas ruas, por mim fuzilava elas todas naqueles paredões e ainda levava junto os viados, negros e mais uns tipinhos que não tem utilidade."
   Ele saiu e eu não preciso comentar que fiquei em estado de completo choque, totalmente pasma com uma cena que, se me contassem, não acreditaria se passar no ano de 2012. Foi quando uma outra menina se virou pra mim e eu disse: "Pois é, tem gente que não quer nos deixar viver né?" e uma senhora complementou: " Vocês são muito mais gente do que 'essezinho', não se preocupem".
   Enfim, meu texto foi bem mais denso do que os que posto normalmente, mas não poderia deixar de registrar esse absurdo pelo qual passei. Não sei definir o que exatamente senti ao ouvir palavras tão duras, foi como se me atirassem um "balde de ódio" no meio da minha cara, como se me derrubassem no chão e continuassem me chutando, foi horrível. E, quando digo horrível, não me refiro somente a ofensa que eu e as outras meninas sofremos, me refiro também ao choque de realidade que mais uma vez sofri. Todos os fatos que lemos nos jornais ou vemos na televisão sobre pessoas sendo espancadas somente por serem homossexuais parecem tão distantes de nós que as vezes esquecemos que um dia, somente por entrar no mesmo ônibus de um maluco (sim, me dou ao direito de chamá-lo assim) como esse, podemos sofrer algum tipo de violência também. Mesmo que, no meu caso, tenha sido "somente" verbal.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Paixão?

Paixão? em um segundo. Suspiro profundo, olhar fixo de um alguém qualquer. Sorrisos, beijos, o simples tocar das mãos, dois corpos em um abraço. Paixão, tênue, avassaladora. Paixão, coração acelerado, descompasso de almas que se perdem no momento em que se encontram. Destino? Certezas? Tentativa de provar para si mesmo que ainda pode ser bom sentir as loucuras mais belas dessa vida errada. Quem sabe a chance de acertar...

domingo, 8 de abril de 2012

Apaixonar-se

Incertezas deixadas para trás. Deixadas nas lembranças de quem um dia sonhou em realizar o sonho improvável do amor. Olhares e carinhos sintonizam mais do que as palavras que pretendem decifrar e conhecer. A música vira suspiro e a melodia vira ar, o mesmo ar que parece faltar quando as mãos se encontram no desconhecido espaço da escuridão. Céu de estrelas e lua onde somente uma brilha mais forte e prende sua atenção.