domingo, 26 de julho de 2009

CONSIDERAÇÕES ANTES DE LER O DIÁLOGO QUE SEGUE:

@ Eu criei isso um tempo atrás durante uma conversa de msn hehehe, foi algo de momento.Na real, eu nem lembro o que desencadeou a minha imaginação e me fez escrever.

@ Infelizmente, ainda não tive a coragem pra protagonizar uma cena deste tipo aqui em casa.

@ Os nomes são todos criados, entao se o seu nome estiver ai é simples coincidência, aloka.

@ Só leiam agora, desculpa por toda essa bobagem falada antes. Ah antes que eu me esqueça pessoas já reagiram de formas diversas a leitura do mesmo, o que quero dizer é que tu rir e teu amigo chorar é completamente normal.


- Mãe, pai eu quero falar com vocês pode ser?
- Ah, minha filha, não me diz que ta grávida!
- Não mãe, não to.
- Graças a Deus.
- Quem grávida? Tu minha filha? Quem é o idiota que te fez isso?
- Não pai, que droga eu não to grávida quero falar, é importante. Sentem os dois!
- Ta minha filha o que?
- Eu sou gay.
Após um longo silêncio minha mãe fala:
- Gay? Ai que horror, não minha filhinha, eu quero netos e um genro!
- Mãe, tu vai ter uma nora, te contenta.
- Não, não, não. Diz que é uma fase, por favor!
- Claro que é uma fase, imagina minha filha lésbica, Bianca. Nunca!
- Não é uma fase po###, eu sou LÉSBICA, que coisa!
Minha mãe aos prantos fala:
- Fora da minha casa agora sua doente, depravada! E só volta quando mudar de idéia! A propósito quem te fez virar “sapata”? Já sei, foi a tua amiguinha do futebol. Viu Ernesto? Eu falei para não deixar ela jogar, mas não, tu deixou viu no que deu a tua teimosia?
E meu pai, como que em um ato de desespero diz:
- A culpa não foi minha, é tu que incentiva ela a fazer amizades com as gurias do colégio! Mesmo assim, vou arranjar um casamento pra ela agora... Tu acha que o filho do José serve? Eu sei que ele é meio feio, mas é bem feminino... Ô meu amor, responde!
Gritei como uma louca em meio a toda aquela cena digna de cinema:
- A culpa não é de ninguém, não há nada de errado comigo eu só não vou ter um namorado, só isso. Eu posso ser feliz com outra guria, eu sou saudável e posso amar alguém, assim como vocês deveriam se amar. Entende? Pelo amor de Deus, pelo menos eu não sou encalhada que nem a Antônia...
-Eu só sou encalhada porque gosto! - Fala minha irmã surtando.
- Tu não põe Deus no meio disso, ele não aprova as tuas sandices... Para de chorar e me diz qual o número do José, rápido antes que não de mais tempo!
Foi assim que aconteceu, mas o que poderia eu esperar de duas pessoas como meus pais? Que aceitassem a minha orientação e quisessem conhecer a pessoa que eu amo independentemente do sexo? Pois é, um dia eu tinha que contar então, antes tarde do que nunca. Com o tempo eles irão entender, tenho certeza, mas antes disso já me expulsaram de casa e...

-Minha filha, te acorda já ta atrasada pra escola. Anda, anda! Teu pai vai sair em quinze minutos!

Ufa! Era só um sonho!

sábado, 18 de julho de 2009

Linda menina de cabelos pretos e de olhar intrigante, distante de tudo e de todos parecia não estar em meio aquela loucura que era a sala de aula. No lado oposto ao meu, eu vi seu olhar e por motivos não conhecidos quis falar com ela, ser amiga ou talvez mais, sei lá o que pensei naquele momento, só sei que me teve desde que meus olhos foram capazes de perceber sua existência.
Duvido existir sujeito ou “sujeita” capaz de desviar minha atenção, olhava sem querer olhar, talvez disfarçasse porque ela namorava e era hétero. A questão é que era impossível não perceber e não desejar tudo de mais perfeito com ela. Queria poder tocar, beijar, mais que isso, eu queria ser o motivo de seus sorrisos tímidos, da alegria triste dos seus dias de chuva e da tristeza alegre dos seus dias de sol. Desejava tê-la em meus braços e poder chamar de minha para todos que se interessassem em ouvir. Desejava-a, simples assim.
Poder sentir, mas não poder concretizar me matava por dentro. Parecia que era incapaz de transformar em realidade o que povoava meus sonhos corriqueiramente. Não dormia sem pensar em querer. Na outra manhã, me sentia envergonhada de olhar e pensar “coisinhas” sobre ela, pior era lembrar o que eu havia sonhado. Culpa? Não, não era isso. Era meu jeito tímido que não me deixava raciocinar de maneira clara para que eu pudesse ter a certeza que um sentimento verdadeiro, em qualquer instância, jamais deve gerar culpa. Sim, devia ser isso. O que mais seria? Era isso, definitivamente.
A mania de não acreditar em mim mesma devia ser tratada imediatamente. Não que eu seja descrente do fato de que alguém possa vir a sentir um “sentimento” por mim, já sentiram. É que quando preciso da auto-estima ela não precisa de mim, ou algo assim. Eu acredito mesmo é no poder de um momento, momento esse que é único. Uma fração de segundos onde tudo parece sucumbir para outro planisfério, como se o mundo esquecesse de que mundo é. Em outras palavras, o poder que mude o imutável e que, principalmente, te faça querer arriscar mesmo sabendo dos riscos.
O que acontecia com meus pensamentos que pareciam querer voltar inexoravelmente àquela menina? Que havia ela feito ou, o que havia nela para me fazer “perder a cabeça”?