Linda menina de cabelos pretos e de olhar intrigante, distante de tudo e de todos parecia não estar em meio aquela loucura que era a sala de aula. No lado oposto ao meu, eu vi seu olhar e por motivos não conhecidos quis falar com ela, ser amiga ou talvez mais, sei lá o que pensei naquele momento, só sei que me teve desde que meus olhos foram capazes de perceber sua existência.
Duvido existir sujeito ou “sujeita” capaz de desviar minha atenção, olhava sem querer olhar, talvez disfarçasse porque ela namorava e era hétero. A questão é que era impossível não perceber e não desejar tudo de mais perfeito com ela. Queria poder tocar, beijar, mais que isso, eu queria ser o motivo de seus sorrisos tímidos, da alegria triste dos seus dias de chuva e da tristeza alegre dos seus dias de sol. Desejava tê-la em meus braços e poder chamar de minha para todos que se interessassem em ouvir. Desejava-a, simples assim.
Poder sentir, mas não poder concretizar me matava por dentro. Parecia que era incapaz de transformar em realidade o que povoava meus sonhos corriqueiramente. Não dormia sem pensar em querer. Na outra manhã, me sentia envergonhada de olhar e pensar “coisinhas” sobre ela, pior era lembrar o que eu havia sonhado. Culpa? Não, não era isso. Era meu jeito tímido que não me deixava raciocinar de maneira clara para que eu pudesse ter a certeza que um sentimento verdadeiro, em qualquer instância, jamais deve gerar culpa. Sim, devia ser isso. O que mais seria? Era isso, definitivamente.
A mania de não acreditar em mim mesma devia ser tratada imediatamente. Não que eu seja descrente do fato de que alguém possa vir a sentir um “sentimento” por mim, já sentiram. É que quando preciso da auto-estima ela não precisa de mim, ou algo assim. Eu acredito mesmo é no poder de um momento, momento esse que é único. Uma fração de segundos onde tudo parece sucumbir para outro planisfério, como se o mundo esquecesse de que mundo é. Em outras palavras, o poder que mude o imutável e que, principalmente, te faça querer arriscar mesmo sabendo dos riscos.
O que acontecia com meus pensamentos que pareciam querer voltar inexoravelmente àquela menina? Que havia ela feito ou, o que havia nela para me fazer “perder a cabeça”?
Gostei do seu texto
ResponderExcluirvou seguir seu blog
obrigada por seguir o http://estamosrecemmocinhas.blogspot.com/
vc é sempre bem vinda a opinar
e contar suas coisas
grande beijos
Ju