Estava na sétima série quando a conheci. Lembro exatamente da sensação de querer usá-la em todas as pausas que apareciam durante a leitura dos meus textos. Eu vim do interior e lá não existem vírgulas, as pausas são naturalmente presentes nas falas e não se faz necessário demarcar aonde se deve pausar. Cidade pequena, pacata, aonde as vírgulas não são objeto de estudo e muito menos são necessárias, pois a calma e a pausa já imperam nos dias dos que ali residem. Vive-se, no interior, uma grande sucessão de vírgulas não demarcadas que estão ali presentes em toda sua aparente transparência. Todavia, ao final da minha quinta série, vim para a capital aonde as vírgulas são necessárias e rigidamente demarcadas. Não sabia usá-las por nunca precisar e demorei cerca de um ano para realmente aprender. Minha professora uma vez chegou e disse “Márcia, as pausas são as vírgulas que demonstram”. A princípio não entendi, mas a correria da metrópole me mostrou o quão necessárias se fazem esses pequenos momentos de interrupção. Esses momentos de respiro e observação. O que seria dessa correria insana se não fossem as vírgulas? Quando aprendi, queria usar de maneira incessante e quiçá errônea, simplesmente por paixão. Admito aqui meu amor pelas vírgulas, pelos momentos de pausa que um simples “risquinho” abaixo da linha pode proporcionar. Amo-as talvez não desde o primeiro momento, mas desde que aprendi sua magia, desde o dia que verdadeiramente descobri a vírgula.
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